domingo, 5 de abril de 2015

Purgatório - Sua última chance / Capítulo 1 - Parte 2

Ufa! Foi por pouco, mas consegui acabar a tempo! =D

Não viu a parte 1? - Purgatório - Sua última chance / Capítulo 1 - Parte 1






        Gustavo se sentou ao lado de Andressa, que estava começando a se acalmar nos braços de Giovanna. João foi se sentar em um canto da sala, no chão, ladeado por Davi e Lucas. Bia ficara imóvel no sofá e a mulher que não dissera seu nome manteve sua posição em silêncio atrás do sofá. Matheus e Dinha saíram pela porta da frente para checar o quintal. Raphael foi com Pedro olhar a cozinha. Carolina, Isabella e Sasha foram vasculhar o quarto feminino. Cauê foi com Fábio para o quarto masculino. O homem negro de roupa social se retirou para outro canto do sofá e ficou em silêncio. Marcela ficou andando de um lado para outro na sala com cara de pouco amigos, mas era visível que estava assustada.
            Pedro e Raphael voltaram logo.
            - Tem muita comida na cozinha. – disse Pedro. – E bebida também. Tipo água, suco e refrigerante. Nada alcoólico.
            - A cozinha também é bem equipada. Tem coisa lá que eu nem sei como usar.
            - Seja lá qual for o motivo de nos trazerem aqui, querem que fiquemos. E ainda nos deu condições pra isso.
            - Estamos sendo vigiados. – disse a moça sem nome. – Olhem pra cima.
            Os homens começaram a observar o teto e perceberam câmeras os vigiando. Devido ao nervoso, nenhum deles tinha reparado antes.
            - Você já tinha visto isso antes, ou foi só agora, mulher? – perguntou Raphael um pouco ríspido.
            - Não sou mulher, sou Gabriela. E não. Só reparei agora.
            Carolina e as outras duas chegaram logo depois. Sasha trazia uma caixa nas mãos.
            - Achamos no armário do quarto. É um kit bem completo de primeiros socorros. Tem de tudo aqui.
            Gustavo tomou a caixa das mãos de Sasha com cuidado e tornou a se sentar para examinar o conteúdo.
            - Vocês viram alguma câmera no quarto, moças? – perguntou Pedro.
            - Sim. – respondeu Carolina – Pelo menos quatro delas. Abrangem qualquer ponto cego. Estamos sendo muito bem observados.
            - Tem câmeras e uma caixa de primeiros socorros no quarto masculino também. – Cauê disse enquanto voltava para a sala com Fábio. – Tem também muitas roupas de cama, toalhas e materiais de higiene. É tudo tão estranho. Isso não se parece com um cativeiro.
            - Se é que estamos em um. – rebateu Giovanna.
            - Mas porque alguém iria querer nos sequestrar? – perguntou Bia. – O que nós fizemos?
            - Será que querem dinheiro? – sugeriu Cauê. – Por que se for, eu tô ferrado. Não tenho muito.
            - O que você faz pra viver? – perguntou Marcela timidamente.
            - Sou cozinheiro. Trabalho demais e não ganho tanto quanto gostaria.
            - Eu sou só uma estudante. – chorou Andressa. – Minha família não tem muita coisa.
            - Calma, querida, vai ficar tudo bem. – Giovanna ainda abraçava a menina e tentava acalmá-la.
            - Cadê os outros dois? – Perguntou Raphael. – O gordinho e a menina?
            - Aqui. – disse Fernanda. Ela e Matheus estavam voltando. – O quintal é bem grande, tinha muita coisa pra ver. Os muros são enormes e lisos, impossível de escalar. Tem uma porta lá fora que dá pra outro quarto, mas ela tá trancada. E tem mais uma que provavelmente dá pra fora, mas logicamente, também tá trancada.
            - E te uma coisa muito estranha lá fora. – Matheus e Fernanda se entreolharam antes de Matheus continuar. – Têm umas vinte cadeiras lá fora, cercadas por uma cerca elétrica. Dez de cada lado, viradas uma de frente pra outra. A gente tentou descobrir o que era, mas nem ideia.
            - Tem uns fios saindo dessas cadeiras também. Não dá pra saber pra onde vão porque passam por baixo da grama artificial lá de fora. – concluiu Fernanda.
            - Okay... isso é beeeeem estranho. – disse Cauê. – O que faremos?
            - Acho melhor esperarmos. – disse Gustavo. – Não dá pra sair. Não temos como saber onde estamos. Pelo menos ninguém está preso ou muito ferido. Temos comida e remédios. Vamos usar o que temos aqui.
            - Me recuso a comer qualquer coisa desse lugar. – respondeu o negro de roupa social.
            - Então fique com fome. – retrucou Cauê, nitidamente sem paciência. – Vou me fazer útil e preparar algo pra comermos. Temos um médico e eu sou cozinheiro. Alguém mais com alguma habilidade que possamos usar? Qualquer coisa?
            - Se alguém precisar de um corte de cabelo. Podem contar comigo. – Brincou Sasha.
            Cauê deu um sorriso simpático para a moça.
            - Ótimo, já sem quem chamar quando precisar aparar as pontas. Obrigado Sasha. – O sorriso ela legitimamente bondoso.
           
            Enquanto Cauê preparava o jantar com a ajuda de Sasha, Pedro e Ágata. Os demais continuaram na sala.
Gustavo deu uma pequena passada na cozinha para trazer água com açúcar para Andressa que estava tremendo de nervoso. João conseguiu de desvencilhar de Lucas e Davi e foi se sentar perto do homem sem nome. Fernanda e Matheus se tornaram amigos rapidamente. Marcela ficara ao lado de Bia e ambas conversavam baixinho. Fábio escolhera a solidão de um canto atrás do sofá e permanecia em silêncio. Gabriela sentou-se no sofá, mas continuou sem conversar com ninguém. Carolina e Isabella trocavam palavras rapidamente afastadas dos demais. Ambas nitidamente nervosas.
- Então seu nome é Rodrigo. – dizia João baixinho perto do novo aliado.
- Isso. E não estou gostando nada da atmosfera desse lugar maldito. Estão fazendo coisas absurdas aqui. Onde já se viu? Comer comida que não se sabe de onde vem.
- Concordo com você, parceiro, mas precisamos comer. Eu tô morrendo de fome.
- Também estou com fome, mas a cima de tudo, estou com medo.
- Há! A última coisa que parece é estar com medo.
- Não preciso me descabelar como aquela pirralha inútil pra mostrar que estou assustado. Quem não estaria?
- Concordo com você. De onde você é?
- Salvador. E você?
- Brasiléia, Acre! Conhece?
João ouviu risos vindos de trás do sofá. Não percebeu que falara o nome da cidade um pouco alto.
- Achei que o Acre não existia. – Comentou Matheus o mais baixo que pode, mas João escutou.
Apesar de gordo, o homem tinha alguma agilidade. Ele saltou por cima do sofá e desferiu um soco no rosto do garoto. Matheus foi jogado para trás e caiu de costas no chão. Fernanda se abaixou ao lado dele depois de gritar. Lucas e Davi seguraram João prontamente. O rosto de Matheus começou a inchar e ficar roxo do lado direito.
- Seu pirralhinho ridículo! Acha que isso é hora pra piada de mau gosto? Seu bostinha!
- Precisamos nos acalmar, cara! – dizia Lucas tentando conter o homem duas vezes o seu tamanho. – Ele só tá tentando se distrair, para com isso!
- É! Não precisa se irritar por qualquer bobagem, porra! Eu sou do sul e nem por isso eu vou ficar irritado com piadas bobas, vai!
- Cala a boca, seu ruivinho magrelo!
João se livrou facilmente dos dois rapazes e voltou a se sentar no sofá assim que viu Cauê vindo da cozinha.
- Qual o motivo da briga agora?
- Deixa pra lá, Cauê. – disse Gustavo. – Brincadeira de criança. Venha cá, moleque! Deixa eu ver seu rosto.
Cauê voltou para a cozinha e Gustavo foi tratar do rosto de Matheus que ficara bem feio.
- Vai ficar com o olho roxo.
- Eu já tô com o olho roxo, seu Gustavo.
- Então, aconselho a fechar a matraca.
Matheus baixou a cabeça. – Desculpe.
- Está pronto. Venham comer. – gritou Raphael da cozinha.

Todos que estavam na casa se sentaram à mesa, os únicos que se recusaram a comer foram Rodrigo, Gabriela e Andressa. A menina se sentou ao lado de Giovanna e permaneceu com a cabeça baixa. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar.
- Alguém sabe que horas são? – Perguntou Davi.
- Não deve ser muito tarde. – disse Gustavo. O vento tá um pouco frio, mas ainda não como ficaria de madrugada. Só supondo, claro.
- Isso aqui tá muito bom! – disse Marcela. – Você cozinha muito bem, Cauê.
Os dois haviam se sentado lado a lado. Cauê deu um sorriso um pouco tímido.
- Obrigado. Mas eu tive ajuda dos outros. Ágata, por sinal, fez boa parte disso aqui.
A mulher gorda, que estava sentada de frente para Marcela deu um sorriso carinhoso para a menina. Aos poucos, os habitantes da casa foram relaxando um pouco e conversas mais amenas surgiram. Coisas como: de onde você é? O que você faz? Por quase duas horas, eles se sentiram tranquilos. Andressa foi se acalmando e arriscou comer alguma coisa. Gabriela não parava de encarar as câmeras. Rodrigo e João trocavam palavras em um sussurro. Fábio permanecia calado.
O jantar acabou, a louça foi lavada e guardada. Tudo feito de modo automático, como se quisessem ter o que fazer apenas para aliviar o estresse.
- Acho que eu vou me deitar. – disse Gabriela, pela primeira vez.
Todos se viraram para ela incrédulos.
- Tem certeza que vai sozinha? – perguntou Giovanna.
- E o que quer que eu faça? Vocês acabaram de comer a comida desse lugar estranho. Que diferença faz eu ir dormir? Minha cabeça parece que vai explodir!
- Não acho uma boa ideia você ir sozinha. – respondeu Gustavo. – Apenas isso.
- Bom, alguém quer ir dormir comigo? – Gabriela disse rispidamente.
Nesse momento, todas as luzes se apagaram. Andressa começou a gritar e se agarrou a Giovanna. Matheus colocou as mãos sobre a cabeça e se abaixou. Fernanda tentou acalmá-lo, mas o garoto estava uma pilha de nervos e com o rosto destruído. Enquanto o medo se instaurava nos habitantes, a TV ligou sozinha e um ser apareceu nela. Alguém, vestido com uma máscara de caveira e um capuz negro, em um fundo escuro. O silêncio desabou sobre a casa. Todos se viraram apavorados para a figura na tela e esperaram.
- Boa noite. Eu sou Caronte. E vocês estão no Purgatório.


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