domingo, 22 de março de 2015

Purgatório - Sua última chance / Capítulo 1 - Parte 1

Um salve a todos! (Quem?) Voltei! Hoje eu trago um projeto que eu comecei e acho que vai durar muito... bom, vamos ver. Espero que gostem. Não vou ficar de lenga lenga hoje não. Boa leitura ;)


O que você faria se acordasse em uma casa com tudo necessário para sua sobrevivência? Você não pode sair de lá. E está acompanhado de pessoas que nunca viu na vida. Essa é a situação de nossos vinte protagonistas. Esses "heróis" terão de se virar lá dentro...

O que aconteceria se o BBB fosse como os jogos mortais? *sorriso maligno*






          Uma buzina soou alto no silêncio. Como um alarme, gritou de forma desesperada ressoando pelo ambiente bem iluminado da mansão. Era realmente um lugar enorme. Estava escuro lá fora. O céu negro, coberto de estrelas. O quintal iluminado de forma artificial por enormes holofotes. Um muro de pelo menos dez metros cercava o terreno da mansão. O quintal era bem cuidado, com grama aparada e vários lugares com bancos, redes largas e sofás para se sentar. Uma piscina grande ficava em um local estratégico do quintal, diante da porta de saída. Todas as luzes estavam acesas, iluminando o interior da casa. A cozinha e a sala de estar eram facilmente vistas pela porta gigante de vidro da casa. O ambiente era aconchegante e reconfortante. A buzina continuava a soar. Como em um presídio. Com pressa e vontade. Soava alto e irritante.
            Em um quarto da casa, deitado na cama, um homem abriu os olhos. Ele se sentiu confuso e as luzes incomodavam seus olhos. Cobriu-os com o braço e sentiu sua cabeça latejar de dor. Gemeu e tentou olhar em volta mais uma vez. Estava em um quarto muito grande, bem decorado em tons de azul, verde e cinza. Havia cinco camas de cada lado do quarto, os pés virados uns para os outros. Em uma das paredes do quarto se localizava um grande armário de madeira branca. No lado oposto, uma porta de madeira de correr, também branca, estava fechada.
            O homem tentou se sentar e sentiu certa dificuldade. Notou com espanto e um pouco de medo crescente, que outras pessoas estavam deitadas nas camas. Todos homens, de diferentes idades, sentavam-se, um a um, tão confusos quanto ele. Ele franziu a testa enquanto observava seus companheiros de quarto.
            - O que está acontecendo? – dizia um deles, um jovem garoto gordo de cabelos pretos.
            - Onde diabos nós estamos? – disse outro que estava ao lado do primeiro a acordar, um rapaz negro de cabeça raspada.
            A buzina foi morrendo aos poucos. Seus gritos transformados em um sussurro, um suspiro e por fim, silêncio.
            - É melhor sairmos e ver o que está acontecendo aqui. – Um homem aparentemente mais maduro que os demais, usando calças brancas e camisa social se levantou e foi andando em direção à porta. – Mais alguém vem comigo?
            - Eu vou com você. – Disse o primeiro.
            O homem de calças brancas abriu a porta devagar e se deparou em um corredor largo e muito iluminado, de frente para outra porta branca. Para o lado esquerdo, o corredor dava em uma porta menor, também branca, e para o direito, ia para um cômodo aberto.
            Os dez homens se amontoaram na porta com medo de sair. Então a porta diante deles abriu timidamente e uma mulher apareceu ali. Uma moça negra, de cabelos curtos em um black power contido e arrumado, com um olhar sério. Atrás dela, outras nove mulheres se amontoavam e observavam aterrorizadas.
            O primeiro homem notou que o quarto de onde elas saíram era arrumado igual ao deles, porém em tons de rosa, lilás e branco. A mulher negra olhou para o homem de calças brancas com um olhar autoritário e inquisitivo. Ao falar, sua voz tinha um tom de liderança.
            - O que está acontecendo aqui?
            - Sabemos tanto quanto a senhorita. – Respondeu educadamente o homem. – Sugiro que olhemos em volta primeiro.
            E sem esperar resposta, ele saiu para o corredor e seguiu pelo lado direito. O restante dos homens o seguiu, e timidamente as mulheres fizeram o mesmo. Viram-se todos em uma sala de estar imensa. Dois sofás estavam colocados em “U” no meio da sala, diante de uma TV de plasma de umas cinquenta polegadas. A sala era bem decorada com pinturas calmas, um espelho e um tapete confortável. Atrás do sofá, uma abertura grande dava para uma cozinha bem equipada, bonita e organizada. A mesa tinha espaço suficiente para todos os vinte.
            - Acha que é seguro? – perguntou a moça negra.
            - A casa parece convidativa. Mas como chegamos aqui? Alguém se lembra?
            Ninguém respondeu. Alguns balançaram a cabeça negativamente.
            - Acordei com muita dor de cabeça. – disse o rapaz que havia levantado primeiro. – Mais alguém acordou assim?
            - Eu senti muito enjoo e uma tonteira. – respondeu uma garota. A mais jovem delas, loira de olhos azuis. – Mas não senti dor de cabeça.
            - Será que doparam a gente? – disse o garoto gordo.
            Alguns começaram a ficar agitados e olhar uns para os outros. O homem de calças brancas soltou um suspiro.
            - Acalmem-se, por favor. Entrar em pânico não vai nos ajudar. Meu nome é Gustavo, eu sou médico. Eu não sei o que posso fazer sem meus equipamentos, mas se precisarem, estou aqui para ajudar. Por hora, vamos nos acalmar e tentar descobrir o que está acontecendo aqui, e sem pânico. – Muitas cabeças acenaram em resposta a ele. – Ótimo. Primeiro, vamos ver o que nosso amigo aqui sugeriu. Se fomos mesmo dopados.
            - Você pode descobrir isso? – perguntou a moça negra ao lado dele.
            - Eu não sei. Vou descobrir examinando cada um de vocês. Procurar por pupilas dilatadas, falta de reflexo, ou mesmo ferimentos na cabeça, como no caso do rapaz ali que disse ter acordado com dor.
            A moça assentiu para ele.
            - A propósito, me chamo Carolina.
            - Bom, Carolina, você pode ser a primeira então. Para dar confiança aos outros.
            Ela assentiu e foi sentar-se no sofá. Os outros foram decidindo aos poucos o que fariam. Alguns também se sentaram, outros preferiram ficar de pé. Gustavo se aproximou de Carolina e começou a olhar seus olhos e fazer testes de reflexo. Ela parecia bem, mas seus reflexos estavam um pouco lentos.
            - Não sei o que usaram, mas você com certeza tomou alguma coisa. – Carolina pareceu desconfortável. – Se lembra de alguma coisa?
            - Não muito. A última coisa que me lembro foi de estar trabalhando. Não lembro nem de ter tomado algo.
            Uma das garotas começou a chorar baixinho. Uma mocinha de cabelos longos castanhos e bem cacheados. Ela também parecia muito nova.
            - Eu só quero ir pra casa. – disse ela quase em um sussurro.
            A mulher ao lado dela passou o braço sobre seus ombros e tentou acalmá-la. Uma mulher de camisa xadrez verde, de rosto maduro e cabelos negros presos de forma desajeitada.
            - Todos nós queremos, querida.
            Gustavo foi até ela e se abaixou. – Deixe-me olhar pra você. Como se chama?
            - Andressa.
            - Vai ficar tudo bem, Andressa. Eu não posso prometer nada, mas vou fazer o que puder pra ajudar.
            - E quem é você pra dizer uma coisa dessas? – um dos homens o olhava muito feio. Era um cara baixo e gordo, de olhos pequenos como de um porco. – Você está aqui dentro como todos nós! Não fale como se pudesse nos salvar, ou coisa parecida.
            - Ei! Cala a boca, babaca! – começou o a dizer o negro de cabeça raspada. – Ele tá tentando ajudar! Pelo menos ele é um médico. Você é o que? Pescador? Vai ajudar como? Pegando uns baiacu na porra da piscina?
            - E quem você pensa que é pra me chamar de babaca? Seu macaco!
            - Vai se foder, mermão!
            De repente os dois homens começaram a se agredir. O homem gordo estava levando a pior diante do outro, que era bem mais alto e forte que ele.
            - Parem com isso! Estão assustando todo mundo! – começou a gritar o primeiro a acordar.
            Outro homem, também alto e forte como o careca, se meteu no meio da briga tentando separar os dois, mas o negão queria muito arrebentar alguém. O homem forte segurou o gordo pra um lado, enquanto outro cara se colocava na frente do negão e tentava leva-lo para trás. A essa altura, Andressa começara a chorar compulsivamente. E outras duas garotas davam sinais de que iam se abaixar e pedir clemência. Outros dois homens foram necessários para acalmar os ânimos dos briguentos enquanto Gustavo fazia seu trabalho.
            - Se essa baleia abrir a boca mais uma vez pra me xingar, eu juro que arranco os dentes dele um por um!
            - Segura a onda, caralho! Não tá vendo a situação, não? – disse um rapaz, que foi segurar o negão para ajudar o primeiro.
            - Nem todos aqui foram dopados. – disse Gustavo, o que chamou a atenção dos seis homens envolvidos na briga. – Alguns foram atingidos na cabeça.
            Gustavo apontou para a cabeça da moça de cabelos negros que amparava Andressa e depois para um homem que parecia mais um hippie parado atrás do sofá.
            - Acho que eu fui uma dessas pessoas, então. – disse o primeiro a acordar, colocando a mão na cabeça.
            Gustavo foi até ele e começou a examinar a cabeça do rapaz.
            - Como se chama?
            - Cauê.
            - Você tem um galo e tanto aqui do lado direito. Lembra-se de alguma coisa?
            - Nada. Nem de onde eu estava.
            - Isso não é bom.
            - E você, doutor? – perguntou o hippie em um sussurro acusativo. – Você pode nos examinar, mas quem vai dizer o que houve com você?
            - Provavelmente, eu fui dopado também. Lembro-me de ter virado a noite no hospital, mas também perdi minha memória do que houve depois. Acordei enjoado. Nesse caso, você vai ter de confiar em mim.
            O hippie assentiu uma vez com a cabeça.
            - Pera, eu sei quem é você! – disse um rapaz novo, que ajudou a segurar o gordo brigão. – Você é Fábio Carvalho! O escritor!
            O Fábio deu um sorriso meio torto para o garoto. – Você é um fã?
            - Na verdade, tenho uma amiga que é. Meu nome é Lucas.
            - Fico feliz de saber que tenho ao menos um fã. – a voz de Fábio era baixa e rouca. E olhando de perto, podiam se ver olheiras sob os óculos de aro redondo. Ele parecia muito mais velho do que era.
            - Não acho que seja hora pra isso. – disse Carolina, retomando sua voz autoritária. – Precisamos saber onde estamos.
            - E o que você sugere? – perguntou o gordo briguento de forma rude.
            - Eu sugiro que você cale a porra da boca, seu índio ridículo! – respondeu o negão careca.
            O homem alto a lado dele lhe deu um tapa no braço e Cauê tratou de segurar o gordo.
            - E eu sugiro que vocês parem de se tratar de forma tão pejorativa. – Cuspiu Cauê. Virou-se para o gordo e perguntou: - Como se chama?
            - Sou João.
            - E você, careca?
            - Raphael. – respondeu de má vontade.
            - Ótimo. Que tal praticarem chamar um ao outro pelo nome, hã?
            - Não é só o escritor que é alguém conhecido aqui. – disse a menina loira de olhos azuis. – Eu sou Marcela. Mas não é a mim que me refiro. Você! – disse ela acenando a cabeça para o garoto gordinho e apavorado em um canto da sala. – Matheus Fontes do canal Theustes. É um Youtuber, né?
            Todos olharam para ele automaticamente.
            - Quê? Eu? Err... é... eu... sou sim. – disse ele meio assustado.
            - O que é Youtuber? – perguntou a moça ao lado de Andressa.
            - Alguém que faz vídeos pro YouTube. – respondeu a moça ao lado dela. Uma jovem parda, de cabelos longos, pretos e enrolados. – Eu conheço seu canal. Você fala sobre games.
            - Eu não sabia que meninas me assistiam. – respondeu Matheus com timidez.
            - Não assisto, meu irmão assiste. – respondeu a moça.
            - Meu namorado assiste. E é um saco. – disse Marcela com rispidez.
            - Ahn... ok. – Agora Matheus tentava virar o rosto pra qualquer direção que não fosse a direção das meninas.
            Uma garota bem baixinha, com cara de criança pousou a mão no braço do jovem.
            - Não ligue pra elas. Eu assisto seu canal e acho muito legal. Eu sou a Fernanda, mas pode me chamar de Dinha.
            Matheus deu um breve sorriso tímido e agradeceu.
            - Essa conversa não vai nos levar muito longe. Eu vou olhar em volta. – uma mulher ruiva de corpo preparado e vestindo roupas de ginástica se levantou do sofá. – Não quero ficar sentada aqui sem saber onde estamos e por que estamos aqui. Vou olhar tudo que puder ao redor da casa. Meu nome é Isabella. Alguém quer me acompanhar?
            - Eu vou. – uma moça muito gorda, que estava parada atrás do sofá em silêncio se mexeu e foi para o lado de Isabella. – Também não quero ficar aqui parada. Sou Ágata. Prazer.
            - Não vou deixar duas mulheres olharem tudo sozinhas. Eu também vou checar a casa. Sou Pedro. – disse o homem que ajudara a segurar Raphael momentos antes. – E você machão? – disse olhando para Raphael. – Vai junto, né?
            - Vou. Mas só pra ficar longe daquele cara. – disse apontando para João.
            - Eu fico aqui. – respondeu o homem que estava entre João e Lucas, ele havia ajudado a apartar a briga. – Vou ficar de olho nesse cara. – acenou a cabeça para João. – Meu nome é Davi.
            - Eu vou ficar pra te ajudar, cara. – Respondeu Lucas.
            - Eu iria, mas Andressa ainda parece muito nervosa. Vou ficar aqui com ela. – Andressa havia se agarrado a moça com força. – Meu nome é Giovanna.
            - Eu estou com muito medo. Também vou ficar. – respondeu baixinho a moça ao lado de Giovanna. – Sou Beatriz. Bia está bom.
            Carolina se levantou. – Também vou. – ela olhou para as pessoas que ainda não haviam se pronunciado. Duas mulheres e um homem. – Vocês duas vão fazer o que?
            Uma delas era uma moça bem vestida, bronzeada e de cabelos curtos e aparentemente muito assustada. Ela simplesmente encarou o chão sem dizer nada. A outra era um pouco mais jovem e vestida de forma mais largada. Ela encarou Carolina nos olhos.
            - Eu vou... – disse bem baixinho. Lógico que estou apavorada, mas... acho que vai ser pior se eu ficar aqui. Me chamo Sasha.
            - Isso é tudo perda de tempo.
            Cabeças se voltaram para o único homem que não havia falado ainda. Era um homem negro, de cabelos rentes à cabeça, lábios grossos e cara de poucos amigos. Vestia uma calça e camisa sociais. Ele olhava para todos de forma acusadora e com certo nojo.
            - Sair correndo por ai não vai resolver nada. A máxima conclusão que chegaremos é que estamos em uma casa. Grande coisa.
            - Não temos alternativa. – respondeu Gustavo. – Se você quiser, pode ficar sentado aqui com todos os outros e esperar o Jesus vir te salvar. – o homem olhou para Gustavo com ódio. – Eu vou ficar aqui para o caso de alguém se machucar. E gostaria que um dos que vão vasculhar a casa que procurem algum kit de primeiros socorros. E que alguém veja se tem comida na cozinha, ou água de preferencia. Não sabemos quando foi a última vez que um de nós comeu ou bebeu alguma coisa.
            - Estou dizendo que isso tudo é bobagem. Andar por ai pode ser perigoso. E se a casa tiver armadilhas?
            - Então saberemos se alguém cair nela. – respondeu-lhe Gustavo.
           



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