quarta-feira, 9 de outubro de 2013

E então seremos entregues - Parte 1

Olá olá! Sua autora mancona chegou bem no meio da quarta à tarde! aiai. É. A história tá saindo no dia errado, mas eu tive um compromisso e não tive tempo nos outros dias pra escrever. Hoje não foi muito diferente, por isso a história vai sair em duas partes, num vou conseguir terminar ela hoje, mas eu prometi história pra hoje, então ela vem dividida ;)
Porém! Planejo um bônus de dia das crianças, então... talvez no sábado eu lance a parte final dessa história PLUS parte 3 de Daniel Strike! Três vivas, yey! Agora sem mais delongas, segue a história!



Anos 70. Em algum lugar dos Estados Unidos. Uma família com cinco crianças havia se mudado para uma grande casa no interior e desaparecido dez dias depois de chegar. Nada que indicasse o que havia ocorrido foi encontrado na casa. Sem sinal de luta, sem sangue, os móveis todos no lugar e todos os pertences da família abandonados da forma como foram vistos pela última vez. O caso foi abandonado e considerado um clichê insolúvel. Mesmo assim, ninguém se atreveu a entrar na casa e hoje sua localização é um mistério, pois ela desapareceu do mapa... Também sem deixar vestígios.





Michael será entregue,
Então Thomas será entregue,
Então Ana será entregue,
Então Jeniffer será entregue,
E então... Leonard será entregue.

            - Leo! O que está cantando?
            Leonard se assustou ao ouvir sua irmã mais velha, Jeniffer se aproximar enquanto ele desenhava. Ele era o mais novo dos cinco irmãos, tinha cinco anos, e geralmente ficava quieto em seu canto desenhando. As crianças estavam todas inquietas com a mudança. Os mais novos estavam pouco animados e os mais velhos não queriam ir, mas seus pais insistiam que seria melhor para todos. Jeny estava arrumando suas coisas no quarto novo quando viu Leo desenhando no meio do corredor enquanto cantarolava uma música estranha.
            - O que deu em você?
            Jeny se abaixou ao lado do irmãozinho e observou o desenho. Todos os membros da família estavam desenhados na folha, mas somente as cabeças e estavam espalhados de forma aleatória.
            - Desenho. – Disse Leo.
            O menino pegou a folha e se levantou olhando para Jeny, não muito mais alta que ele, e então sorriu e correu escada abaixo.

*****

            - Maravilhosa, não é, querido? – Sarah estava muito animada com a casa nova. Ver seus filhos em um novo ambiente era bom e ela estava cheia de expectativas com uma casa no campo.
            - Foi bem difícil de achar, mas eu consegui. Ela é bem grande e custou pouco. Espero que as crianças se adaptem bem a ela.
            - É. Fantástico esse fim de mundo...
            Sarah e George se viraram para ver Michael, seu filho mais velho entrando com cara de poucos amigos na cozinha.
            - Ora, Michael. Você vai se acostumar. É bom pra você e seus irmãos. – Disse Sarah.
            - Claro, mãe, maravilha. Tudo que tem aqui são um lago e um monte de árvores. Nem sequer temos vizinhos e o único traço de civilização fica há uma hora daqui.
            - Por que, ao invés de reclamar, mocinho, você não vai por suas coisas no seu quarto? – Reclamou George.
            - Já coloquei. – Michael sentou-se irritado na mesa. E se assustou quando Leo o cutucou pelas costas e lhe entregou um papel. Michael o olhou sem entender. Era o mesmo desenho que Jeny havia visto.
            - Você é o primeiro.
            - Primeiro?
            Leo apenas sorriu e foi embora. Seus pais apenas sorriram e George disse:
            - Claro que é, é o mais velho. – e riu.

****

            E finalmente chegou a primeira noite na casa nova. Michael ganhou um quarto só para ele. Jeniffer e Ana dividiram um e Thomas e Leonard ficaram em outro. Michael era o mais velho com 15 anos, seguido por Thomas de 13, Ana de 10, Jeniffer com 7 e por fim Leonard com 5. O primeiro dia fora cansativo para todos, claro, somente arrumaram tudo na casa, sem poder aproveitar muito. Michael fora o que ficara mais irritado por ter de deixar amigos pra trás, mesmo que eles prometessem escrever, Michael sabia que não iriam. Já os outros irmãos não ligaram muito.

Michael será entregue,
Então Thomas será entregue,
Então Ana será entregue...

            Thomas acordou ouvindo Leo cantarolando. Ele coçou os olhos cheios de sono e foi até o pequeno irmão que estava sentado na cama.
            - Leo, deita. Vamos, eu estou com sono.
            Leo o olhou sem expressão por longos segundos, até Thomas se sentir desconfortável. Thomas forçou o menino a se deitar, mas Leo não fechou os olhos e continuou a encarar Thomas, mesmo quando ele foi se deitar novamente.
            - Dá pra parar? Vai dormir Leo...
            Thomas se virou para o outro lado tentando ignorar o pequeno Leo. Um pouco mais tarde Thomas acordou de novo, mas Leo não estava na cama e a porta do quarto estava aberta. Thomas saiu do quarto procurando o menino. Ele desceu as escadas e procurou por todo o andar de baixo tentando não fazer barulho e chamando por Leo. Ele estava começando a se preocupar e resolvendo chamar seus pais quando um barulho muito alto no andar de cima o assustou. Thomas subiu correndo as escadas e encontrou seus irmãos e seus pais no corredor tentando descobrir de onde viera aquele barulho tão alto. Mas tinha algo faltando. Michael não estava no corredor.
            - O que foi isso? – Perguntava Ana.
            - Não sei. Fiquem aqui crianças. – George se adiantou e colocou todos no seu quarto com Sarah. Ele pegou sua espingarda e foi olhar no quarto de Michael quando um barulho mais alto que o anterior o assustou vindo do sótão. – Michael! É você por acaso?! Quer assustar seus irmãos?
            Risadinhas irromperam pela casa arrepiando os pelos na nuca de George, seguido por sussurros incompreendidos. George correu até o quarto de Michael e abriu a porta com a espingarda. – Mike!
            Leo estava sentando no chão do quarto de Michael, desenhando. Quando se pai entrou ele o encarou com grandes olhos azuis escuros e de rosto inexpressivo.
            - Leonard. O que está fazendo no quarto do Michael?
            - Desenho.
            George suspirou e baixou a arma se aproximando do filho. O desenho era novamente as cabeças dos membros da família espalhadas de forma aleatória. George olhou de um jeito estranho para o desenho do pequeno filho. – Você desenha muito bem pra alguém as sua idade.
            Leo abriu um largo sorriso e por fim olhou para Michael apontando.
            - Primeiro.
            George se levantou e foi até Michael. O filho estava coberto até o pescoço e respirando com dificuldade. George colocou a mão na testa do menino e percebeu que ele estava com febre, seu rosto estava pálido e tinha olheiras enormes e roxas sob os olhos.
            - Meu Deus. Michael. Mike! Acorda. Você está bem?
            Michael abriu os olhos devagar e olhou para o pai.
            - Pai. Eu... – e vomitou. Michael começou a vomitar de forma descontrolada. George começou a gritar chamando Sarah que veio correndo acompanhada de Thomas. – Tommy, pegue Leo e vá para meu quarto. Fique com as garotas.
            A cara de Thomas era de puro pânico. Ele ficou lá olhando Michael vomitar de tudo na cama. Nunca tinha visto o irmão tão doente, e mais, tão depressa. – AGORA THOMAS!
            Thomas se assustou com o berro do pai e pegou Leo no colo enquanto ele cantarolava alguma coisa. As crianças ficaram perguntando para Thomas o que estava acontecendo enquanto ele se recusava a dizer. Enquanto isso, no quarto, Michael começara a vomitar sangue enquanto chorava e tremia descontroladamente.
            - Precisamos leva-lo a um médico. Que merda é essa?!
            Assim que George gritou essas palavras, Michael parou de vomitar e olhou para o pai em pânico. – Não posso. – Disse com a voz fraca e começou a chorar. Sarah o abraçou preocupada.
            - Como assim, não pode? Mike? Aconteceu alguma coisa, filho?
            - Vou ficar bem papai. Vou ficar bem.

*****

            George levou Michael para dormir com eles e cada criança voltou para seus quartos acreditando que estaria tudo bem. Mas a manhã seguinte chegou para provar que não estava tudo bem. Michael estava morto.

*****

            Sarah não falava. Ela ficou sentada na mesa da cozinha olhando para as próprias mãos. Mãos que seguraram seu filho pela última vez na noite anterior. Ela ainda não conseguira entender o que e como acontecera. E tão rápido. Michael estava tão bem antes de ir dormir. Por que? Lágrimas involuntárias escorreram por seu rosto. Um puxão em sua manga a fez limpar o rosto rapidamente e ver o autor do puxão. Jeniffer estava olhando para mãe com uma expressão muito triste. Ana estava atrás de Jeny. Sarah abraçou as filhas que choraram em seu ombro. Thomas ficou apenas observando na porta da cozinha sem saber o que fazer. George veio por trás do filho e colocou a mão em seu ombro.
            - Agora você é o homem da casa, Tommy. Cuide bem das suas irmãs e do Leo, ok?
            Thomas apenas assentiu e saiu da cozinha indo procurar por Leo.

Michael foi entregue,
Então Thomas será entregue,
Então Ana será entregue,
Então Jeniffer será entregue,
E então... Leonard será entregue.

            Thomas se aproximou com cautela. Queria ouvir mais sobre o que seu irmão cantarolava, mas Leo parou assim que Tomas chegou mais perto.
            - Ei, Lenny. O que você estava cantando? Onde ouviu isso?
            - O homem de preto que canta.
            Thomas se agachou ao lado de Leonard. – Que homem de preto, Lenny?
            Leonard olhou bem fundo nos olhos de Thomas, um olhar quase incrédulo e estranho demais para uma criança tão pequena. – Você não viu ainda? Ele mora com a gente. Lá no sótão. – e então Leonard apontou para longe e Thomas seguiu sua mão.
            Thomas ficou observando a casa. Havia uma pequena janela que dava para o sótão, mas Thomas não a tinha visto ainda. Estavam na casa a pouco mais de dois dias. Quando Thomas tornou a olhar para Leonard, ele tinha sumido. O menino se levantou depressa e começou a olhar em volta procurando o pequeno Leo e o viu no píer que havia no lago bem em frente à casa. Thomas correu até lá para pegar o irmão antes que ele caísse.
            - Leonard! Saia já daí!
            O pequeno não lhe deu atenção e continuou caminhando pelo píer. Até que chegou ao seu fim, mais um passo e ele mergulharia quando Thomas o agarrou pela cintura e o arrastou de lá enquanto Leonard se debatia e esperneava. Thomas o jogou na segurança de chão e ficou segurando o pequeno e inquieto irmão que começara a gritar. George veio correndo ao ouvir a gritaria do filho e tirou Thomas com um puxão de cima de Leonard.
            - O que está fazendo?! Ficou louco?
            - Não, pai! O Lenny ia pular no lago!
            - O que? Ele tem cinco anos! Nem sabe o que está acontecendo! – George pegou Leonard no colo aborrecido com o filho. – Não cause problemas Thomas, sua mãe já está abalada o suficiente.
            George começou a se afastar e Thomas viu Leonard lhe lançar um sorriso malicioso, o que o assustou um pouco.
            - Pai! – George se virou. – O que tem no sótão?
            - Bagunça, lixo, pilhas de coisas que os antigos donos deixaram pra trás. E mais algumas no porão também. Não quero que vocês entrem lá porque está cheio de aranhas.
            - Mas o Lenny disse que tem um homem lá.
            - Tommy. Não tem nada lá. E antes que você comece com histórias, fantasmas não existem!
            George foi embora com Leonard no colo deixando um Thomas confuso pra trás. Naquele momento, Thomas decidiu que queria saber quem era o tal homem de preto.

*****

            - Não cause mais problemas, Tommy, papai vai ficar bravo. – Ana estava sentada em sua cama segurando Jeniffer que havia dormido depois de tanto chorar. – Se ele disse pra não ir lá, não vá!
            - Mas o Leonard disse...
            - O Leonard é um bebê.
            - Ana! O Michael morreu! E a gente nem sabe do que foi. E tem essa música estranha que o Lenny canta.
            - Para! – Ana cobriu os pequenos ouvidos com as mãos e lágrimas brotaram de seus olhos. – Eu não quero ouvir, Tommy.
            Tommy ergueu um pedaço de papel e o mostrou a Ana. – É um desenho nosso. O que tem de estranho ai?
            Ana pegou o papel com cuidado e o olhou. Era aquele desenho feito por Leonard. A família espalhada, mas tinha uma coisa nova dessa vez.
            - Tem um X em um deles?
            - Eu acho que é o Mike.
            - Thomas!
            - Ana, eu vou até lá!
            - Fazer o que? É perigoso.
            - Te vejo mais tarde. Não conta nada pro papai. – Thomas se levantou e foi decidido até a porta.
            - Tommy – disse Ana com a voz fraca – E se esse homem de preto existir e estiver mesmo lá?
            - E daí eu acho que vou fazer xixi nas calças.
            Thomas saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Enquanto ele se dirigia para o porão foi capaz de ouvir risos e sussurros que o deixaram arrepiado. Então uma mão tocou a sua e Thomas se virou rapidamente e muito assustado para ver Leonard atrás dele com aqueles grandes olhos azuis escuros. Então Thomas teve um pequeno pensamento: “desde quando Leonard tinha olhos azuis?”.
            - Hei, Lenny. Achei que estava dormindo.
            - O homem de preto disse que você não pode vê-lo ainda.
            - Quem é esse homem, Lenny? É um fantasma?
            Leonard deu uma pequena risada. – Não. Ele é de verdade. Sabe, Tommy. Ele me disse... que já estamos todos mortos.
            Um vento forte quebrou duas janelas no fim do corredor fazendo Thomas gritar assustado e se abaixar abraçando Leonard para protegê-lo. George saiu correndo do quarto e viu os filhos agachados no corredor.
            - Thomas, Leonard! O que estão fazendo aqui fora?
            - Pai, a janela!
            George foi até a janela do corredor e olhou para fora. Era uma tempestade. Chuva forte estava caindo e havia muito vento. George se sentiu um pouco irritado.
            - Thomas, leve seu irmão para o quarto, eu vou tapar essa janela. AGORA!
            Thomas pegou seu irmão sem discutir e foi para o quarto parando apenas para fazer um pequeno gesto para que as irmãs voltassem pra dentro. Colocou Leonard na cama e sentou em sua própria.
            - Droga, o que foi isso?

Michael foi entregue,
Então Thomas será entregue,
Então Ana será entregue,
Então Jeniffer será entregue,
E então... Leonard será entregue.

            Thomas olhou assustado para o pequeno Leonard enquanto ele cantarolava sua música estranha. Então Leonard olhou para Thomas e deu um pequeno sorriso.
            - Você é o próximo, Thomas.
            E então, Thomas começou a vomitar.





Segue: @KaiEscreve

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